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MANUAL DA MÁQUINA CDA
A máquina é de pedra e pensamento. Funciona sem água, deslizando seu lençol de laje e lembrança aberto e desperto por natureza. Tem por motor o atrito, a tração a alavanca que levanta quem lê e o modela, diferente, a cada passada pois se faz também diversa: novos perfis que se enfrentam assimétricos, e que não esperam o encaixe certo, feito à regua mas o impossível, irregular, sem efes-e-erres, com recortes irritados se aproximando, como no boxe — através do choque, onde se juntam — íntimos, podendo parecer ternos apesar dos dentes, roldanas, o amor arranca, em chão de escorpião. Quando revista, de perto, por dentro a máquina — que não se passa a limpo — se compreende um pouco do engenho do mecanismo de suas linhas partidas.
De Numeral/Nomimal, 2003
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